Úteis e Fúteis…


Dilma: a vitória de um projeto generoso, e o enterro da política feita nas sombras

por Rodrigo Vianna

A vitória de Dilma significa a vitória de lutas que vêm de longe, como eu já escrevi aqui.

A vitória de Dilma é a vitória de Lula e de um projeto que aposta na inclusão. É a continuidade de um governo que teve atuação marcante em quatro eixos, pelo menos:

– criação de um mercado consumidor de massas (recuperação do salário-mínimo, do salário do funcionalismo, Bolsa-Familia, política mais agressiva e popular de crédito) – teve papel fundamental no enfrentamento da crise econômica mundial, porque o Brasil deixou de depender só das exportações e pôde basear sua recuperação no mercado interno;

– respeito aos movimentos sociais – parceria com sindicatos, diálogo com as centrais, com o MST;

– recuperação do papel do Estado – fim das privatizações, valorização do funcionalismo, novos concursos públicos, recuperação do papel planejador do Estado (por exemplo, no campo da energia), fortalecimento dos bancos públicos (não mais como financiadores de privatizações suspeitas, mas como indutores do desenvolvimento);

– política externa soberana – enterro da Alca, criação da UNASUL, valorização de parcerias com China, India, Irã; fim do alinhamento com os EUA.

Dilma significa que isso tudo pode seguir. Mas a campanha mostrou que há pelo menos uma área onde o governo Lula errou, por timidez: política de Comunicação. Durante a reta final do primeiro turno, o Brasil voltou a ficar refém de quatro ou cinco famílias que ditam a pauta do Brasil. Os blogs e um ou outro meio tradiconal ofereceram certo contraponto. Mas foi pouco. No segundo mandato, com Franklin Martins, Lula mostrou que é possível avançar muito mais nessa área!

A vitória de Dilma significa também a derrota de muita coisa. Derrota do preconceito e do ódio expressos em mensagens apócrifas, derrota de quem acredita que se ganha eleição misturando política e religião – de forma desrespeitosa e obscurantista.

Dilma no poder significa a derrota de Ali Kamel e seu pornográfico jornalismo de bolinhas na “Globo”. Significa a derrota de Otavinho e suas fichas falsas na “Folha”. Significa a derrota da Abril e de seus blogueiros/colunistas de esgoto.

Dilma é a derrota da extrema-direita que espalhou boatos, fotos falsas, montagens grosseiras e – quando desmascarada – saiu correndo (apagando sites, vestígios, provas).

A vitória de Dilma é a derrota da maior máquina ideológica conservadora montada no Brasil desde o golpe de 64. Essa máquina mostrou sua cara na campanha – unindo a Opus Dei, o Vaticano e o que restou da comunidade de informações a essa turma “profisional” que espalhou emails, calúnias, spams (e atacou até blogs progressistas na calada da noite).

A consagração de Dilma significa a derrota de um candidato covarde: não teve coragem de mostrar FHC na campanha, fingiu ser amigo de Lula e, no desespero, usou aborto e a própria mulher para ataques lamentáveis…

Dilma é a derrota de uma política feita nas sombras, nos telefonemas para as redações, nos dossiês.  Dilma significa a vitória de um projeto generoso, e o enterro de uma determinada oposição.

Quem torce pela democracia torce também para que uma nova oposição – séria e democrática – prospere, longe dos dossiês e da truculência serrista. Na próxima semana, teremos tempo para pensar a fundo no que pode vir de uma oposição renovada, quais os movimentos possíveis…

Mas acho que não devemos ter ilusão. Serra tirou da garrafa a extrema-direita. O tipo de campanha feita por ele, e que obteve mais de 40% dos votos, mostra que essa máquina conservadora está à espreita. E pode voltar a atacar. Os colunistas e os chefetes ressentidos – em certa imprensa pornográfica – seguirão a agir nas sombras.

Caberá a nós lançar cada vez mais luz sobre as manobras dessa gente. Derrotada pelo voto e pela força do povo brasileiro.

Anúncios

Comentários em: "A derrota do ódio e do preconceito" (4)

  1. PESQUISANDO MUITOS COMENTÁRIOS NA INTERNET, NOTEI QUE GRANDE NÚMEROS DE PAULISTAS, ESTÃO A SE GABAR QUE SÃO PAULO REPRESENTA SESSENTA POR CENTO DE TODO PIB NACIONAL. OS DEMAIS ESTADOS SÓ TEM VAGABUNDOS E MISÉRÁVEIS, SENDO, PORTANTO, SUSTENTADOS POR ESSE ESTADO BANDEIRANTE. DECIDIU ESTUDAR O ASSUNTO. PURA MENTIRA. O IBGE AFIRMA QUE SÃO PAULO VEM PERDENDO TERRENO. OS ESTADOS DO CENTRO OESTE, DF, NORTE E NORDESTE ESTÃO GANHANDO MUSCULATURA NA ECONOMIA BRASILEIRA. EM DEZ ANOS COM A DRA DILMA NA PRESIDÊNCIA, CUMPRINDO O QUE PROMETEU NA CAMPANHA (INVESTIR MAIS AINDA NESSAS REGIÕES) SÃO PAULO NÃO SERÁ MAIS A PRIMEIRA ECONOMIA. TUDO LEVAR A CONCLUSÃO QUE SÓ REPRESENTARÁ NO MÁXIMO 15 POR CENTO DO PIB NACIONAL. EM 25 ANOS SERÁ UM ESTADO COMO QUALQUER OUTRO, PORÉM, AINDA RESPIRANDO. VEJAM A MATÉRIA:
    Distância da economia de SP para outros estados diminui, mas desigualdade regional ainda é grande, mostra IBGE.

    Aumento dos investimentos no Nordeste, crescimento da agropecuária e guerra fiscal são apontados pelo IBGE como fatores para redução de disparidades.
    O estado de São Paulo perdeu participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, mas ainda detém 33,1% das riquezas nacionais. A agropecuária puxou o crescimento de vários estados de Norte e Nordeste, mas a redução das disparidades econômicas regionais se deu com mais força de 1995 a 2002 do que de 2002 a 2008.

    A síntese da pesquisa Contas Regionais do Brasil, divulgada nesta quarta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o Piauí é o estado que mais cresceu no Brasil em 2008, com expansão de 8,8% na comparação com o ano anterior. Ceará (8,5%), Goiás (8,0%), Mato Grosso (7,9%), Espírito Santo (7,8%) e Roraima (7,6%) vêm a seguir na lista dos maiores crescimentos, o que indica, em linhas gerais, melhores possibilidades para estados pobres em relação ao que se via na década de 1990. A expansão da agropecuária e o bom momento do mercado mundial de commodities ajudaram algumas unidades da federação, o que contribuiu para reduzir algumas das disparidades.

    O Centro-Oeste, que tinha 8,8% do PIB nacional em 2002, chegou a 9,2% em 2008. O Norte, incentivado também pela indústria extrativista mineral, chegou a 5,1% da economia, 0,4 ponto percentual a mais que o registrado em 2002. O Nordeste, apesar do crescimento em termos absolutos, viu sua participação relativa no PIB crescer apenas 0,1 ponto, chegando a 13,1% em 2008. O Sudeste perdeu 0,7 ponto no período, mas ainda controla 56% das riquezas nacionais, seguido pelo Sul, que também teve redução na participação total, controlando agora 16,6% do PIB.

    “A tendência é que esses estados continuem a desenvolver suas economias, fatalmente ganhando participação no PIB”, avalia Alessandra Soares Poça, da Diretoria de Pesquisas do IBGE. Há exemplos bastante claros de estados impulsionados pela agropecuária. O caso notório é o de Mato Grosso, que cresceu 128% entre 1995 e 2008, quase três vezes a média nacional para o período (47%). Rondônia, que passou a abrigar frentes de expansão agrícola, teve crescimento de 71,3% nestes treze anos.

    Distâncias

    São Paulo, a maior economia brasileira, perdeu, de 1995 a 2008, em participação no PIB. A queda foi de 37,3% para 33,1%. Pela primeira vez, a participação somada de Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná se iguala à paulista, que é também alcançada pela primeira vez pelos demais 22 estados.

    Alessandra Soares, do IBGE, indica que há um conjunto de motivos para o recuo relativo de São Paulo. “Muito se deve ao desenvolvimento das próprias economias dos demais estados. Há indústrias que migraram devido à guerra fiscal, mas não se pode atribuir simplesmente a isso. Há avanço da fronteira agrícola no Norte e no Centro-Oeste, o que atrai parte da indústria alimentar.”

    A queda mais forte se deu na indústria de São Paulo, que recuou de 44,4% do total do setor para 33,9%. Ao mesmo tempo, o Rio de Janeiro, impulsionado pelo petróleo, aumentou sua fatia de 8% para 12,7%, retomando a condição de segundo parque industrial brasileiro em termos de valor, acima de Minas Gerais, que também cresceu, mas ficou com 11% do total.

    Em termos gerais, Sul, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, somados, chegaram a 44% do PIB nacional, contra 40,9% registrado em 1995. Apesar da diminuição da distância em relação ao Sudeste, o ritmo desta redução no período 2002-2008 é inferior ao registrado entre 1995 e 2002. No primeiro período analisado pelo IBGE, Norte e Nordeste cresceram, respectivamente, 30,1% e 15,5%, contra 10,5% do Sudeste. No segundo período, entre 2002 e 2008, os avanços foram de 39,8% e 31,5%, contra 27,3% no Sudeste. A explicação é que, embora o crescimento econômico dos últimos anos tenha beneficiado mais as regiões pobres, a expansão atingiu todo o país.

    Fonte: Rede Brasil Atual

  2. Isaac disse:

    Dizer que a vitória da Dilma é a derrota do ódio e do preconceito é um absurdo. Quem iniciou essa campanha suja, cheia de calúnias e preconceito, foi o próprio PT.
    O Lula tornou-se um cabo eleitoral da Dilma, pisou na constituição, jogou toda a sua soberba em cima da ética que ele deveria ter: aproveitou eventos do atual governo para fazer campanha da “cumpanheira”, começou campanha antes da lei eleitoral permitir – e foi multado várias vezes…. Como posse-se esperar que as pessoas respeitem a lei, se temos um fanfarrão na presidência da república
    O infeliz manteve a política econômica do FHC, mudou o nome de programas educacionais e sociais para tomar a autoria destes, aumentou o déficit público, a dúvida interna do país foi triplicada em 8 anos, abandonou vários municípios do interior, não investiu em saúde nem em saneamento, as taxas de analfabetismo aumentaram, aumentou as despesas de gabinete em mais de 300 milhões já no primeiro ano de governo, inflou o setor público…. Ele e a sua equipe são verdadeiros irresponsáveis.
    Não consigo entender como o governo do FHC, que passou por mais de cinco crises econômicas mundiais e continentais, obteve mais conquistas do que o governo Lula, que, além de ter a favor a estabilidade financeira do pais, também teve o mundo crescendo surpreendentemente.
    Tenho certeza de que, se tivéssemos uma pessoa competente administrando o país, nós teríamos inflação mais baixa e maiores taxas de crescimento do PIB. Também teríamos saúde de qualidade e melhor educação.
    Depois dessas eleições, o Lula se marginalizou, incentivou a violência ao fazer piadas sobre o atentado que o Serra sofreu, enganou o povo. Comprou as policiais e pessoas necessitadas com bolsas isso, bolsa aquilo.
    A vitória do PT, foi a vitória da corrupção, dos mensalões, do “tudo acaba em Pizza”, do retrocesso na saúde, no saneamento e na educação.

  3. ADOREI O BLOG..
    PARABÉNS, VC FAZ UM EXCELENTE TRABALHO!

    • Obrigado pelo apoio Marcelo.

      Caso tenha alguma sugestão sobre algum assunto sinta-se a vontade para entrar em contato comigo.

      Abraços

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Nuvem de tags

%d blogueiros gostam disto: